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Programa municipal com tirzepatida registra perda média de 15,1 kg em cinco meses

Maior perda individual chegou a 37,1 kg; relatório também aponta melhora em exames laboratoriais, redução do uso de medicamentos e aumento da qualidade de vida.

Por Luís Fernando da Silva - Divisão de Comunicação Publicado 22/07/2026 15h41 • Atualizado 24/07/2026 14h15 Cerca de 7 minutos de leitura
Paciente recebe dose de tirzepatida. Foto: Natália Bertoli / Prefeitura Municipal de Urupês.

Paciente recebe dose de tirzepatida. Foto: Natália Bertoli / Prefeitura Municipal de Urupês.

Resultados clínicos e laboratoriais do Programa Municipal de Tratamento da Obesidade com Tirzepatida, implantado pela Prefeitura de Urupês em fevereiro de 2026, apontam que os pacientes do Grupo 1 perderam, em média, 15,1 quilos – o equivalente a 12,9% do peso corporal – em apenas cinco meses de tratamento.

Além da perda de peso, foi registrada redução média de 5,66 pontos no Índice de Massa Corporal (IMC), que passou de 44,28 para 38,62 kg/m². Com isso, diversos participantes deixaram a classificação de obesidade grau III, considerada a forma mais grave da doença.

Os exames laboratoriais também demonstraram melhora em indicadores metabólicos, incluindo redução da hemoglobina glicada e da resistência insulínica, mostrando, na prática, uma evolução no controle do diabetes e de outros fatores associados à obesidade.

Principais resultados obtidos

  • 15,1 kg de perda média de peso;
  • 12,9% de redução do peso corporal;
  • 50% reduziram ou suspenderam medicamentos para diabetes;
  • 21,4% reduziram ou suspenderam a insulina;
  • 57,1% melhoraram a pressão arterial;
  • 92,9% relataram melhora da qualidade de vida;
  • até 31 cm de redução da circunferência do quadril.

Como funciona o programa

Atualmente, o programa nomeado "Tirzepatodos" acompanha cerca de 200 pacientes em cuidado integral. Além da utilização da tirzepatida, medicamento inovador que auxilia na redução do apetite, melhora o controle da glicose e favorece a perda de peso, todos os pacientes passam por acompanhamento contínuo com endocrinologista, enfermeiro, nutricionista, psicólogo e educador físico, além de monitoramento clínico e laboratorial periódico.

A proposta é associar o tratamento medicamentoso à mudança de hábitos de vida, ampliando as chances de resultados duradouros.

A tirzepatida utilizada pelo município é manipulada por empresa farmacêutica habilitada, sempre mediante prescrição médica individualizada. Diferentemente das chamadas "canetas emagrecedoras", o programa em Urupês não entrega dispositivos para autoinoculação; todas as aplicações são realizadas por profissionais na unidade de saúde.

Na fase inicial, o programa priorizou pacientes que aguardavam cirurgia bariátrica e que já haviam passado por outras abordagens terapêuticas sem alcançar os resultados esperados.

Para participar do programa, os pacientes devem atender a critérios clínicos que consideram idade, índice de massa corporal (IMC), presença de comorbidades e vulnerabilidade social. As regras estão previstas no Protocolo Municipal para Dispensação, Autorização e Acompanhamento do uso da Tirzepatida no Tratamento da Obesidade no âmbito do SUS municipal, instituído pelo pelo Decreto 3390, de 13 de fevereiro de 2026.

Pacientes realizam caminhadas e outras atividades durante processo de tratamento. Foto: divulgação / Departamento Municipal de Saúde.Pacientes realizam caminhadas e outras atividades durante processo de tratamento. Foto: divulgação / Departamento Municipal de Saúde.
Pacientes realizam caminhadas e outras atividades durante processo de tratamento. Foto: divulgação / Departamento Municipal de Saúde.

Mais do que números, mudanças de vida

Além dos resultados apresentados nos exames e na balança, os primeiros meses do programa também foram marcados por mudanças relatadas pelos próprios pacientes.

Uma das participantes do grupo inicial, Patrícia Aparecida Corniani, que perdeu 23,6 quilos, conta que conseguiu reduzir drasticamente o uso de insulina.

"Já faz mais de três semanas que eu não tomo insulina porque a diabetes está baixando. Já perdi peso, olho no espelho e estou me vendo uma nova mulher".

A paciente Gabriela Vitória Cabelo, que apresentou a maior perda de peso do grupo, com 37,1 quilos, relata que também deixou de utilizar medicamentos para outras doenças associadas.

"Estou muito feliz com o tratamento. Todo tipo de medicação que eu tomava para colesterol, triglicerídeos e gordura no fígado eu não tomo mais".

Também participante do programa, Antônio Carlos Soilo Campana afirma que houve redução na quantidade de medicamentos utilizados diariamente.

"Eu tomava insulina três vezes por dia, além de vários comprimidos. Hoje não tomo mais insulina, reduzi pela metade a quantidade de medicamentos, faço caminhada todos os dias e me sinto uns vinte anos mais novo."

Os demais grupos do programa ainda estão em fases mais recentes de acompanhamento. Por esse motivo, os dados apresentados para os Grupos 2, 3, 4 e 5 são considerados preliminares e deverão ser consolidados conforme o avanço do tratamento e das avaliações clínicas e laboratoriais.

Paciente passa por consulta com nutricionista. Foto: Natália Bertoli / Prefeitura Municipal de Urupês.
Paciente passa por consulta com nutricionista. Foto: Natália Bertoli / Prefeitura Municipal de Urupês.

Uma resposta a um desafio de saúde pública

A implantação do Programa Municipal de Tratamento da Obesidade com Tirzepatida foi motivada pelo crescimento do excesso de peso na população. Levantamento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (Sisvan), divulgado em 2025, aponta que cerca de 43% da população de Urupês apresentava algum grau de sobrepeso ou obesidade, cenário que reforçou a necessidade de estruturar uma política pública voltada ao tratamento da doença.

A preocupação acompanha uma tendência observada em todo o Brasil e no mundo. O Ministério da Saúde reconhece a obesidade como uma doença crônica, multifatorial e um dos principais desafios da saúde pública, associada ao aumento do risco de diabetes, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, problemas osteoarticulares e redução da qualidade e da expectativa de vida. O próprio ministério recomenda que o cuidado seja realizado de forma contínua, multiprofissional e integrado à Atenção Primária à Saúde.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, em 2022, 43% dos adultos no mundo apresentavam excesso de peso e 16% viviam com obesidade, condição que já afeta mais de 1 bilhão de pessoas globalmente. A entidade alerta que a obesidade é uma doença crônica e recorrente, cuja prevenção e tratamento exigem mudanças no estilo de vida, acompanhamento multiprofissional e, quando indicado, terapias medicamentosas e outras intervenções clínicas.

É justamente na vida dos pacientes que esses números deixam de ser estatísticas e passam a representar mudanças concretas. Ao resumir sua experiência no programa, a paciente Noélia sintetiza o objetivo da iniciativa implantada em Urupês:

"A qualidade de vida melhorou cem por cento. Hoje consigo fazer exercícios, andar de bicicleta, tenho mais disposição para trabalhar e não preciso mais tomar remédio para pressão. Antes eu era uma pessoa e hoje sou outra, renovada."

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