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Saúde de Urupês poderia ter atendido 1.380 pacientes a mais em um único mês se não fossem as faltas sem aviso prévio

Dados internos de abril revelam que mais de 36% das consultas com especialistas são perdidas.

Imagem ilustrativa gerada por Inteligência Artificial.

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Por Luís Fernando da Silva - Divisão de Comunicação

Publicado há 48 minutos - Atualizado há 32 minutos

Cerca de 4 minutos de leitura

O que parece ser apenas um esquecimento inofensivo na rotina de um paciente tem custado muito caro para a saúde pública e para quem aguarda na fila. Se não fosse pelo absenteísmo – o não comparecimento a consultas e exames agendados –, a rede municipal de saúde de Urupês poderia ter beneficiado exatas 1.380 pessoas a mais somente no mês de abril de 2026.

Um levantamento interno do Departamento de Saúde revela um gargalo preocupante: as faltas drenam recursos e tempo dos profissionais. O cenário mais crítico em Urupês concentra-se nas consultas com Médicos Especialistas, onde a taxa de faltas chegou a impressionantes 36,20% em abril (391 ausências para 1.080 agendamentos). Veja mais:

ESPECIALIDADES CONSULTAS FALTAS % DE FALTAS
Médico Clínico 4052 494 12,19%
Médico Especialista 1080 391 36,20%
Exames laboratoriais 779 179 22,98%
Dentista 533 164 30,76%
Pediatra 539 89 16,51%
GO - Ginecologia/Obstetrícia 95 19 20%
Ultrassom 207 44 21,26%
TOTAL 7285 1380 18,94%

Para Marielen Belone Sassi, enfermeira-chefe do sistema público de saúde de Urupês, o impacto vai muito além de um simples horário vazio na agenda médica. Ela explica que o paciente que não comparece perde a oportunidade de ter um diagnóstico e um tratamento no tempo correto, o que pode agravar doenças que seriam facilmente controladas na atenção primária.

"Isso também não impacta só o indivíduo. Impacta em toda a população, porque aumenta a fila de espera de alguns serviços que são mais procurados e sobrecarrega a urgência e emergência. Se você não faz o tratamento adequado no tempo correto, a situação pode se agravar e você é forçado a ir para a emergência, além de gerar desperdício dos recursos públicos", detalha Marielen.

Um colapso regional e silencioso

O absenteísmo não é uma exclusividade de Urupês, mas uma epidemia silenciosa que assola toda a Saúde. A Prefeitura de São José do Rio Preto realizou recentemente uma campanha de alerta após constatar que, entre setembro e dezembro de 2025, 140.929 consultas e exames foram perdidos pelo não comparecimento, o equivalente a 26,57% dos agendados.

Para ilustrar a gravidade, a prefeitura rio-pretense comparou as ausências com a demografia estadual: "Se fosse uma cidade, seria a 59ª mais populosa do Estado de SP".

Em Catanduva, cidade que atua como referência para Urupês em atendimentos de média e alta complexidade, a situação é igualmente alarmante. Um levantamento destacado pelo jornal A Tribuna demonstrou que 19% das consultas e exames marcados em Catanduva deixaram de ser realizados em um único mês por conta das faltas.

Dados nacionais apontam que a taxa média de absenteísmo na saúde pública gira em torno de 25%, podendo chegar a 40% em serviços especializados, gerando um efeito dominó de filas e desperdícios.

Como a saúde seria se o absenteísmo não existisse?

A ausência de faltas sem aviso transformaria radicalmente a eficiência da saúde pública. Sem o absenteísmo, o sistema trabalharia com sua capacidade máxima, reduzindo o tempo de espera nas filas de especialidades, barateando os custos operacionais e promovendo uma medicina focada na prevenção, e não apenas no tratamento de crises nos prontos-socorros.

Como resume Marielen Sassi, o empenho do poder público esbarra na responsabilidade individual.

"No final de tudo, quem perde é a própria comunidade, porque vai ter um acesso um pouco mais difícil e a qualidade do cuidado vai ser comprometida".

A orientação das autoridades de saúde é clara e urgente: caso o paciente não possa comparecer à sua consulta ou exame, ele deve avisar a Unidade Básica de Saúde (UBS) com a maior antecedência possível. Esse simples gesto permite que o sistema chame o próximo morador da fila, garantindo que o direito à saúde chegue, de fato, a quem precisa.

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